Referência na dança negra contemporânea, Cia Treme Terra celebra 20 anos e estreia turnê nacional em São Paulo com dois espetáculos
Foto: Divulgação
Após a abertura em São Paulo, a turnê seguirá por Amazonas, Pará, Bahia, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Em cada cidade, o projeto realizará apresentações gratuitas de Florestas de Odé, oficinas de Dança Negra Contemporânea, exibições acessíveis do documentário Danças Negras e rodas de conversa com os diretores João Nascimento e Firmino Pitanga, aproximando criação artística, formação e reflexão sobre a presença das culturas afro-brasileiras na contemporaneidade.
Com apresentações no Brasil e em países como Alemanha, Bulgária e Bolívia, a Cia Treme Terra tornou-se uma das principais companhias de dança negra contemporânea brasileira. Seu trabalho reúne criação, formação e investigação artística, reconhecidos por premiações como o Prêmio Klauss Vianna, o Programa Municipal de Fomento à Dança para a Cidade de São Paulo e o Prêmio Denilto Gomes.
O projeto “Florestas de Odé – Circulação Nacional em celebração aos 20 anos da Cia Treme Terra” foi selecionado pela Chamada Instituto Cultural Vale 2025 e é realizado por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), com patrocínio do Instituto Cultural Vale.
Oxóssi entre a floresta e a cidade
Inspirado na mitologia de Oxóssi, orixá das florestas e da caça, Florestas de Odé estabelece um diálogo entre ancestralidade e temas urgentes da atualidade, como o desmatamento, o racismo ambiental e as violências enfrentadas por populações que dependem diretamente da floresta para viver. A partir da figura do “caçador urbano”, o espetáculo cria imagens coreográficas inspiradas no cotidiano de trabalhadores submetidos a diferentes formas de exploração e opressão nas grandes cidades.
“Florestas de Odé aborda as/os trabalhadores submetidos às condições de violência, exploração e opressões que formam o alicerce da sociedade brasileira oriundo da colonização”, afirma o diretor João Nascimento.
A obra é resultado de uma pesquisa estética fundamentada nas artes do corpo negro em diáspora. Segundo a companhia, “a riqueza está no resultado de uma pesquisa estética corporal que tem como base o corpo negro em diáspora, trazendo elementos de uma memória ancestral que se reelabora a partir dos desafios da vida cotidiana, reforçando a ideia de uma cultura viva e em constante transformação.”
Criado em 2011, Terreiro Urbano parte da simbologia do xirê e da mitologia dos orixás para investigar a presença do sagrado na paisagem urbana. Ao combinar dança, música ao vivo e elementos das manifestações culturais afro-brasileiras, o espetáculo constrói uma reflexão sobre identidade, memória e pertencimento. Com mais de 100 apresentações no Brasil e no exterior, tornou-se um dos trabalhos mais representativos da companhia.
Formação e intercâmbio
Além das apresentações, a circulação inclui oficinas gratuitas de Dança Negra Contemporânea e exibições acessíveis do documentário Danças Negras, seguidas de rodas de conversa com João Nascimento e Firmino Pitanga.
O documentário reúne depoimentos de importantes nomes das artes, da cultura popular e da produção intelectual brasileira, como Kabengele Munanga, Makota Valdina, Raquel Trindade, Lia Robatto, Helena Katz, Clyde Morgan, Edileusa Santos e Carlos Moore, ampliando o debate sobre a presença da arte negra na contemporaneidade.
Todas as atividades contarão com recursos de acessibilidade. As apresentações e rodas de conversa terão intérprete de Libras, enquanto o documentário será exibido com Libras, audiodescrição e legendas descritivas.
SERVIÇO
Temporada em São Paulo – Sesc 24 de Maio
Florestas de Odé
Datas: 16 e 17 de julho de 2026
Horário: 20h
Terreiro Urbano
Datas: 18 e 19 de julho de 2026
Horário: 15h


