Estúdio Urutu e Algohits transformam gravações analógicas em aposta estratégica no streaming
- MÚSICA PRA CURTIR
Redação
- 13 de maio de 2026
“URUTU FILMES” (Julia Missagia)
Em um momento em que a indústria musical discute autenticidade, excesso de processamento digital e padronização sonora, o Estúdio Urutu e a Algohits oficializam uma parceria que aposta justamente no resgate da gravação analógica como diferencial artístico e estratégico no streaming. A união marca o lançamento do URUTU FITAS, série audiovisual gravada 100% em fita magnética e em take único, com distribuição mensal nas plataformas digitais.
O projeto nasce no Centro Histórico de São Paulo e reúne oito artistas em apresentações ao vivo registradas sem cortes diante de público presente. A proposta é transformar a estética clássica da fita magnética em um produto competitivo dentro do ecossistema digital atual. A série já iniciou seus lançamentos com Carol Maia (ao vivo), disponibilizada em 9 de abril, seguida por Lau e Eu (ao vivo), lançada em 7 de maio.
Com sede próxima às regiões da República e Anhangabaú, o Estúdio Urutu se consolidou nos últimos anos como um dos espaços mais respeitados da produção analógica no país. O local já recebeu nomes históricos da música brasileira, como Toninho Horta, Alaíde Costa, Zezé Motta e Eliane Pittman, além de artistas contemporâneos como Linn da Quebrada, Don L, Curumin, Jadsa, Cachorro Grande e o produtor norte-americano Adrien Young, fundador do projeto internacional Jazz Is Dead.
Ao contrário do fluxo dominante de produção musical, o Urutu trabalha sem depender de extensas cadeias de softwares e correções digitais. As gravações passam por uma mesa Soundcraft Ghost de 24 canais e são registradas em um gravador de fita Tascam ATR80, preservando características como compressão natural, saturação harmônica e dinâmica real de performance.
Para Otavio Cintra, idealizador e diretor técnico do estúdio, o método impacta diretamente na entrega artística.
“O fluxo de trabalho analógico no Urutu prioriza a permanência e a verdade da performance. No suporte magnético, a ausência do ‘desfazer’ confere à obra uma gravidade e uma textura sonora que o ambiente digital dificilmente consegue replicar.”
Além da proposta técnica, o projeto também aposta em experiência. Enquanto os artistas gravam, o público acompanha as performances em tempo real dentro do próprio estúdio, criando uma atmosfera próxima à de um showcase intimista. Todo o material audiovisual é captado por Willian Paiva e Julia Missagia, responsáveis por documentar os lançamentos mensais da série.
Segundo Vicente Barroso, coordenador e curador do Estúdio Urutu, a ideia é registrar artistas em momentos relevantes de suas trajetórias.
“O URUTU FITAS é pensado para registrar artistas brasileiros que vivem hoje grandes momentos de maturidade em suas carreiras. Artistas em busca do registro definitivo e da força que um take único imprime na identidade do fonograma.”
Na parceria, a Algohits assume a frente estratégica de distribuição e posicionamento digital. Para Aline de Miranda, estrategista de comunicação do Estúdio Urutu, o mercado começa a valorizar novamente experiências sonoras mais humanas e menos artificiais.
“Estamos educando o algoritmo com som real. Através desta parceria, levamos a mística do analógico para o streaming, garantindo que o cuidado técnico do Estúdio Urutu se transforme em performance e alcance digital.”
Já Ivan Staicov, manager da Algohits, acredita que o diferencial do projeto está na combinação entre tradição e alcance tecnológico.
“A grande jogada é darmos o valor e a importância que o analógico merece sem perder a potência da distribuição em larga escala que só o digital hoje viabiliza.”
Com novos episódios previstos ao longo dos próximos meses, o URUTU FITAS se posiciona como uma iniciativa que conecta passado e futuro da música brasileira — usando a linguagem do streaming para reintroduzir ao público a estética, o risco e a emoção das gravações definitivas.


