Entrevista: Terra Celta transforma história de amor e estrada em novo single “Pé na Estrada”
Com mais de duas décadas de estrada, o Terra Celta abre um novo capítulo de sua trajetória com “Pé na Estrada”, single que transforma uma história familiar em uma canção sobre movimento, companheirismo e descoberta. Composta por Elcio Oliveira para os pais, que viajavam de motorhome pelo Brasil, a faixa ganhou novos contornos com a participação do produtor norte-americano Eric Silver, conhecido por trabalhos com nomes como Shania Twain, Dolly Parton e Keith Urban.
O encontro aproximou a identidade festiva da banda de uma produção com referências internacionais e trouxe novas possibilidades para melodia, arranjos e sonoridade. Em entrevista ao Mais Brasil, o Terra Celta fala sobre a criação de “Pé na Estrada”, a parceria com Eric Silver, as experiências em cinco edições do Rock in Rio — incluindo Lisboa e Las Vegas — e o desejo de levar sua música para novos públicos, dentro e fora do Brasil.
“Pé na Estrada” nasce de uma ideia bastante humana — a de duas pessoas que permanecem juntas por muitos anos, mas continuam se conhecendo e se transformando ao longo do caminho. Como Elcio Oliveira e Eric Silver transformaram esse conceito em uma composição que consegue falar de relacionamento sem perder o caráter festivo e dançante que marca o Terra Celta?
Essa música eu compus para os meus pais, que viajavam de motorhome pelo país, curtindo a velhice deles e dando uma “palestra” de como a vida necessita de movimento. O Eric fez algumas alterações na letra e na melodia para que chegássemos ao resultado que queríamos. A experiência dele colocou tudo em um formato que manteve nossa essência, com uma sonoridade contemporânea.
Eric Silver chega ao projeto trazendo uma trajetória diretamente ligada a Nashville, com trabalhos ao lado de artistas como Shania Twain, Dolly Parton e Keith Urban, além de uma relação de décadas com a música brasileira. O que esse encontro entre a experiência de Nashville e a identidade construída pelo Terra Celta acrescentou à produção de “Pé na Estrada”?
As saídas melódicas e de arranjo que ele propôs para deixar a música com uma roupagem mais moderna nem passavam pela nossa cabeça. Foi muito aprendizado!
A relação de Eric Silver com o Brasil começou ainda no fim dos anos 1980, a partir de uma gravação com Almir Sater, e posteriormente passou por nomes de diferentes gerações e estilos, como Renato Teixeira, Titãs, NX Zero, Vitor Kley, Rouge e Manu Gavassi. Essa capacidade de transitar por universos tão distintos influenciou de alguma maneira a forma como o Terra Celta pensou a produção e os arranjos do novo single?
Sim, com certeza. O Eric tem uma experiência incrível e estávamos alinhados nas nossas referências e propostas, mas demos literalmente carta branca a ele. Ele alterou arranjos, melodia e letra, e o resultado foi muito melhor do que esperávamos!
A trajetória internacional do Terra Celta, com cinco participações no Rock in Rio — incluindo Lisboa e Las Vegas —, também coloca a banda diante do desafio de apresentar uma música construída a partir de diferentes tradições culturais para públicos muito distintos. Essas experiências mudaram a maneira como vocês enxergam a própria identidade brasileira e a capacidade de uma música como a de vocês dialogar com outros países?
A gente se enxerga brasileiro. O problema é que curadores, produtores culturais e influencers resolveram ditar o que é brasileiro ou não. Temos muitas dificuldades de conseguir a aprovação de projetos culturais, com contrapartidas sociais inclusive, pois parece que não somos “brasileiros o suficiente”. É triste ver o país se fechando para sonoridades que dialoguem com outras culturas. Quem sabe, no futuro, alguém possa olhar para a gente e entender que fazemos música brasileira.
O videoclipe dirigido por Lucas Cersosimo mistura registros de estúdio, apresentações, viagens e momentos de bastidores, conectando o lançamento atual a mais de duas décadas de trajetória. Ao olhar para todo esse caminho, que transformações vocês percebem no Terra Celta e quais territórios musicais ainda despertam curiosidade e vontade de explorar nos próximos anos?
Temos vontade tanto de fazer turnês fora do país como de participar de projetos sociais em comunidades para levar essa “opção sonora” a quem nunca esperava ouvir isso. A gente aprendeu a fazer isso de forma divertida, colocando o público para interagir e se conectar conosco.


