Casa de Cultura do Butantã ganha ocupação de arte urbana criada por mulheres do território
A partir de 19 de outubro, a Casa de Cultura será transformada por uma ocupação de artes urbanas realizada por mulheres ligadas ao território, reunindo diferentes linguagens e trajetórias em uma narrativa visual sobre pertencimento, memória e a luta pela preservação dos espaços públicos e verdes do bairro.
A proposta reúne 13 artistas mulheres para a criação de murais nas áreas internas do equipamento, além de intervenções nas paredes e muros externos, com trabalhos que incluem graffiti, pintura, lambe-lambe, stencil e poesia. As duas empenas laterais também receberão uma obra assinada por Andréa Tolaini.
Nascida e criada no Butantã, a artista construiu sua trajetória entre as artes urbanas, a ilustração, a produção cultural e a criação de intervenções em espaços públicos. Seu trabalho tem como eixos a conexão entre pessoas e território, o pertencimento, a memória, a presença feminina e a transformação social.
“Minha relação com a Casa de Cultura começou aos 14 anos, quando cantei ‘No Woman, No Cry’ no palco interno. Lembro da minha mãe debaixo do palco orgulhosa. Lembro da alegria que senti em poder testar ser artista. Agora, poder materializar nas paredes da Casa esse pertencimento que tanto ela quanto o bairro onde nasci despertam em mim é também uma forma de retorno a origem do meu anseio por criar.”
A escolha das participantes parte da própria geografia afetiva do Butantã. As artistas convidadas têm trajetórias construídas na arte urbana e relações diversas com o território, compondo um grupo que atravessa diferentes linguagens, gerações e experiências.
Participam da ocupação Andréa Tolaini, Kika Capucha, Priscila Montania, Lygia Lee, Thaís Gil, Camila Nega, Raphaeula, Liu Olivina, Mathiza, Isabel Tell, Drill, Ella e Lorraine Silva.
Mais do que reunir trabalhos independentes, a curadoria propõe que as obras construam uma narrativa visual conjunta, trazendo para as paredes da Casa de Cultura referências dos espaços verdes e culturais do bairro e dos movimentos comunitários de proteção dos espaços públicos do Butantã.
Kika Capucha atua com graffiti, ilustração, pintura e tatuagem e desenvolve trabalhos coletivos nas periferias do Butantã. Priscila Montania transita por diferentes suportes e tem o universo feminino como um dos eixos de sua produção. Lygia Lee, Thaís Gil, Camila Nega, Raphaeula, Liu Olivina, Mathiza, Isabel Tell, Drill, Ella e Lorraine Silva também integram a ocupação com diferentes pesquisas e linguagens ligadas às artes urbanas e à produção cultural do território.
Nas empenas laterais, Andréa Tolaini cria uma obra que coloca mulheres, árvores nativas e animais silvestres na mesma paisagem. A imagem parte de uma pergunta: que cidade seria possível construir se pessoas e natureza pudessem compartilhar os espaços urbanos com segurança, liberdade e cuidado?
A obra é atravessada pela frase “Integrar e Pertencer”, criada para sintetizar a relação entre cuidado, pertencimento e preservação presente no projeto. A frase também homenageia movimentos e coletivos do bairro que integram e cuidam dos espaços públicos.
A escolha do tema dialoga com uma característica marcante do Butantã: a presença de áreas verdes e de uma comunidade historicamente mobilizada pela preservação de praças, parques e espaços de convivência. Coletivos, associações e grupos independentes atuam no território em iniciativas ambientais, culturais e educativas, fortalecendo uma cultura de cuidado com os espaços comuns.
É nesse contexto que a ocupação aproxima duas questões que, para a curadora, estão profundamente relacionadas: a preservação dos espaços onde a vida pode existir e o direito das mulheres de circular, permanecer e criar nesses mesmos espaços.
“A Casa de Cultura é um marco fundamental no meu caminho enquanto artista. Ocupar a cidade é colocar nas ruas a voz de tantas mulheres que foram restringidas aos ambientes domésticos, aos cuidados da casa e da família, e distanciadas de seu poder criativo. As vozes das mulheres das artes urbanas são também as vozes de muitas outras que não puderam ocupar os espaços públicos como nós ocupamos hoje. Ainda com riscos permanentes, enfrentamos e ocupamos com nossa arte o mundo. E isso não tem volta.”
Ao colocar artistas do próprio território no centro da intervenção, o projeto transforma a Casa de Cultura em espaço de criação, memória e reconhecimento. A ocupação propõe uma mudança que vai além da transformação visual do edifício: suas paredes passam a registrar pessoas, linguagens e histórias que formam o território.
Para Andréa, o projeto tem ainda um sentido de retorno. O espaço que marcou o início de sua relação com a música e com a cena cultural do bairro torna-se agora cenário de uma nova experiência coletiva, dessa vez protagonizada por mulheres artistas.
Ao reunir diferentes artistas e linguagens em um mesmo endereço, a ocupação propõe uma Casa de Cultura que não apenas recebe o território, mas que também seja marcada por ele: pelas artistas, pelas memórias, pelas áreas verdes, pelas histórias comunitárias e pelas diferentes formas de imaginar a cidade.
SOBRE ANDRÉA TOLAINI
Artista visual, muralista, curadora e produtora cultural, Andréa Tolaini nasceu e foi criada no Butantã e tem trajetória ligada às artes urbanas, à ilustração e à criação de intervenções em espaços públicos. Seu trabalho utiliza a arte como ferramenta de conexão, reflexão e fortalecimento comunitário, com projetos relacionados às mulheres, ao pertencimento, à memória e à transformação social.
Entre suas iniciativas estão o Ateliê Coletivo Mídia Ninja, o Coletivo Butantânicas, a Exposição Marias, a Ocupação Chácara do Jockey e outras ações culturais desenvolvidas dentro e fora do território.
SERVIÇO
Ocupação de Artes Urbanas Femininas na Casa de Cultura do Butantã
Local: Casa de Cultura do Butantã
Inauguração: 18 de outubro de 2026, a partir das 11h
Realização: Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo
Apoio / Parcerias / Patrocínio: Nou Colors
Endereço: Av. Junta Mizumoto, 13, Jardim Peri Peri, São Paulo – SP


