Novíssimo Edgar apresenta live session que inaugura o universo de REWIND, seu próximo disco

 Novíssimo Edgar apresenta live session que inaugura o universo de REWIND, seu próximo disco

Registro ao vivo funciona como porta de entrada sensorial para o novo momento do artista, que retoma o reggae e o dub como territórios de criação

Antes de apresentar oficialmente seu próximo álbum, Novíssimo Edgar abre o ciclo do projeto, intitulado REWIND, com uma live session gravada na Casa Líquida, em São Paulo. O registro – que  traz o artista em cena ao lado do DJ Kazvmba e de Matilde nos backing vocals – não se propõe a explicar a obra, mas a instaurar um clima e uma presença que atravessam este novo momento.

A proposta funciona como uma porta de entrada sensorial: a performance retoma o centro da experiência musical e marca o retorno do artista, formado nos sound systems periféricos, ao reggae e ao dub como territórios de criação. Aqui, esses gêneros aparecem menos como rótulos e mais como linguagem que organiza a escuta, o corpo e a cena.

“Vivemos momentos líquidos e a ditadura da imagem vertical; e quem detém essa imagem ou a narrativa dela? Estamos diante da guerra do volume de quem toca, grita ou se manifesta mais alto… Se a imagem tem mil palavras, que iniciemos essa experiência através da imagem, então”, afirma o artista.

O audiovisual integra uma construção maior que atravessa REWIND e parte da decisão de ancorar a dimensão estética nos shows. A direção criativa se orienta pela ideia de que o trabalho é feito para ser ouvido, mas também para ser presenciado, em diálogo direto com a força do reggae, do dub e da cultura de sound system na experiência ao vivo. As imagens nascem da performance e da circulação do som no espaço, em um registro que se aproxima do documental.

Rewind como retorno à escuta, às raízes e à periferia. Enquanto a performance continua nas margens das artes, disputando espaço com o centro, a periferia é bem representada com o sound system e paredões, tomando a cena e a tendência internacional. Pensar REWIND nunca foi estética, e sim necessidade”, ressalta Edgar.

Na live session, o artista apresenta as faixas “Je suis défoncé” e “Comme une flèche”, duas peças que sintetizam o espírito de REWIND. A primeira, instrumental, destaca a escaleta – instrumento tradicional do reggae – em diálogo com o dub e a cultura de sound system. Já “Comme une flèche”, cantada em francês, evidencia a pesquisa de Edgar com outros idiomas e reforça o caráter coletivo do projeto, em parceria com Matilde. Juntas, as faixas funcionam como uma amostra do território estético que o disco aprofunda.

Sarah Martins

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