Luverboi fala sobre “Nosferatu”, seu novo single de trabalho
Com uma estética que mistura o sombrio e o sensual, Luverboi inaugura uma nova era com o single “Nosferatu”, seu primeiro lançamento em português, pelo selo Base Company. Entre o mistério e a liberdade, o artista mergulha na própria escuridão para transformá-la em arte, uma trajetória que reflete autoconhecimento, ruptura e coragem para ser inteiro, sem filtros nem amarras.
Em um momento marcado pela reinvenção, o cantor e compositor mostra que abraçar o que antes era considerado “obscuro” pode ser, na verdade, um ato de libertação. Inspirado pelo expressionismo alemão e pela simbologia dos vampiros, Luverboi cria um universo visual e sonoro onde o corpo, a vulnerabilidade e o poder se cruzam, dando origem a uma obra que é ao mesmo tempo provocante e espiritual.
Em entrevista exclusiva, ele fala sobre o processo de transformação que o levou até esse recomeço, a força simbólica por trás da “escuridão”, o papel da sensualidade como energia criativa e o que significa cantar em sua própria língua.
Ele ainda reflete sobre autodescoberta, liberdade e a beleza de abraçar as próprias sombras, um manifesto de entrega e autenticidade que marca o início de um novo capítulo em sua trajetória artística. Confira:
“Nosferatu” marca o início de uma nova era para você. Que tipo de transformação interna aconteceu até chegar nesse ponto de recomeço?
Acho que desde que eu me mudei pra São Paulo, ou até mesmo antes disso, eu venho experimentando várias versões e intersecções de mim mesmo, e isso sempre refletiu no tipo de música que eu fazia no momento, e agora, não quero dizer que eu me encontrei, porque acho que a mudança e o autodescobrimento tem que ser eterno, mas hoje eu me sinto mais confortável na minha pele, me sinto mais como eu mesmo, e isso reflete na música.
Você fala sobre se sentir atraído pela escuridão e ceder a ela. Em que medida essa escuridão é metafórica e em que medida é algo que você realmente vivenciou?
A escuridão nessa música não é necessariamente sobre momentos difíceis, é sobre abraçar tudo aquilo que é visto e julgado como “obscuro” por uma sociedade hipócrita e de falsos princípios, é sobre se livrar de toda construção social e culpa cristã que algum dia tentaram inserir na sua cabeça, sobre desenvolver suas próprias crenças, sem nenhum tipo de doutrinação.
A freira no clipe por exemplo, quando ela está na “luz”, ela na verdade está na escuridão, e quando ela cede à “tentação” e aceita a própria escuridão é quando ela realmente se liberta e tem a chance de construir sua personalidade e princípios por si só, sem nenhum tipo de pressão, ou lavagem cerebral. Então podemos dizer que nessa música, a escuridão é 100% metafórica, porque são coisas que nem deveriam ser consideradas obscuras, mas isso com certeza adiciona um toque sedutor a elas.
O single soa como um grito de liberdade. Quais medos ou limitações você precisou deixar para trás para abraçar essa nova fase artística?
Eu deixei pra trás a vontade de pedir licença para existir, a culpa, o medo de incomodar, a vontade de agradar. Hoje eu quero provocar, sentir e ser, sem limites, sem censura, sem coleira. To me permitindo ser inteiro sem medo de ser “demais”.
Ao cantar em português, você também se mostra mais vulnerável e próximo do público. Essa exposição te assusta ou te liberta?
Com certeza me liberta, eu sinto mais verdade na minha própria palavra quando canto em português. A única coisa que me assusta é que agora toda a minha família vai entender o que eu canto e minhas letras não costumam ser muito “family friendly” (risos).
A sensualidade sempre esteve presente na sua estética, mas em “Nosferatu” ela vem com uma intensidade quase espiritual. O que representa essa energia pra você?
A sensualidade é uma coisa meio que quase espiritual pra mim mesmo e é muito mais do que apenas corpo e desejo, é poder, presença, vulnerabilidade, é sobre a beleza que existe quando a gente se entrega completamente a uma sensação, é o corpo sendo o canal de algo muito maior, que ultrapassa o físico. É uma forma de expressar vida, intensidade e conexão, e uma das minhas principais fontes de inspiração.
Se essa nova fase pudesse ser resumida em uma frase, qual seria o manifesto de Luverboi nesse momento?
Acho que todos temos nossa luz e pureza interior, mas também temos nosso caos e trevas, então desde que não vá causar mal a você mesmo e a ninguém, abrace-os, ambos podem ser lindos, seja o Deus do seu próprio céu e o diabo do seu próprio inferno.


