Lucas Filmes estreia os singles “Pai” e “Quanto Amor”, em que verte em arte a dor da partida
Crédito: Kamila Fehringer
O cantor e compositor Lucas Filmes estreia um single duplo neste 24 de abril. As faixas em questão são “Pai” e “Quanto Amor”, que você escuta antes, com exclusividade, aqui no Portal Mais Brasil. Ambas se apresentam como fotografias de um momento tão delicado quanto pessoal, refletindo o sentimento de perda: as composições se deram antes e após a morte do pai do artista, vítima de complicações de um câncer de pâncreas em 2024.
Fruto de um processo denso de investigação interna, as canções contam com a colaboração de Chico Bernardes, responsável pelas funções de gravação e mixagem, além de tocar bateria e chocalho. Os registros versam sobre a iminência e os rastros do fim, de modo que o autor expõe ao ouvinte um honesto registro de vulnerabilidades.
O primeiro fragmento desse capítulo diz respeito a “Pai”, composta durante a operação realizada para retirada do tumor. “Trata-se de uma cirurgia complicadíssima e de alto risco. Logo, essa música funciona como um pedido para que fique tudo bem, para que possamos continuar vivendo e aprendendo juntos”, explica Filmes.
Com produção inspirada nas aquarelas sonoras de músicos como Erasmo Carlos e Mac DeMarco, a proposta pavimenta o caminho para elaborações da perda a partir de uma instrumentação orgânica, que passeia por vários instrumentos na fita. “É uma música triste e queríamos que ela tivesse esse cansaço, essa repetição, uma aura de fossa mesmo”, prossegue.
Em seguida, é a vez de “Quanto Amor”, em que Filmes se debruça sobre a crueza da morte. “Escrevi essa segunda música no dia seguinte ao falecimento do meu pai. Ela conta toda a história dos anos em que lutou contra o câncer e de como foi pra mim e pra minha família. Estava escutando muito Bob Dylan, Nick Drake e Alice Phoebe Lou na época, que acabaram sendo referências para a composição. Também toquei no tributo a Belchior na época e acho que inevitavelmente fui influenciado por isso”, conta.
A sutileza das emoções e o frenesi dos pensamentos, alinhados às transformações da experiência humana, se refletem na própria identidade visual do projeto. “Para fazer a foto da capa, escolhemos um dia de sol para sair e fazer alguns retratos. Usamos uma câmera analógica pinhole, o que significa que cada foto precisou de mais ou menos dez minutos para ser feita. Nesse tempo, muita coisa pode acontecer”, diz a fotógrafa Helena Zilbersztejn, responsável pelos cliques.
No caso da foto escolhida, Lucas posa em duas posições diferentes para que a imagem revelada revele uma repetição de seu corpo. Ao utilizar essa técnica fotográfica tão artesanal, na qual a demora sobre o momento e os imprevistos são bem-vindos, a passagem do tempo acaba sendo capturada. Presença e afeto se enlaçam, ao mesmo tempo em que algo escapa. Os singles “Pai” e “Quanto Amor”, que também funcionam como uma celebração da existência, marcam um episódio importante na trajetória do artista. É com sensibilidade, e sobretudo amor, que Lucas Filmes transforma a experiência da perda em matéria viva de sua criação.
O artista
Natural de São Paulo/SP, Lucas Filmes sempre estabeleceu um lugar de importância para a música em sua vida. No entanto, ainda que em contato frequente com bandas e instrumentos musicais, o artista levou tempo para reconhecer a possibilidade real e palpável de construir uma carreira. Somente após o diagnóstico de câncer recebido pelo pai, em 2021, é que reconheceu ser confrontado por desejos e a possibilidade de encarar diferentes perspectivas. “Entendi que a vida é muito curta pra ter medo. Então, larguei a faculdade e decidi dedicar meu tempo exclusivamente à criação”, diz.
Em seus trabalhos anteriores, Filmes tratou de criar uma identidade que se calca na mais íntima das atmosferas. “Sinto que o ouvinte escuta minhas músicas da mesma maneira que um amigo escutaria um desabafo ou uma piada”, afirma. Deste modo é que todas as faixas já lançadas pelo autor funcionam como expressões pessoais e autênticas da própria experiência no mundo.
Foi justamente essa escolha que o levou a ocupar espaços como o Porta (2025) e a Associação Cecília Cultural (2023). Paralelamente, atuou como guitarrista e músico de apoio no tributo Celebração a Belchior ao longo do mesmo ano, em apresentações que ocuparam relevantes palcos do país, incluindo o Teatro Claro+, em São Paulo; o Teatro do CIC, em Florianópolis; e o Teatro Positivo, em Curitiba.
Ouça mais na sua plataforma de streaming favorita.


