Entrevista: Mari Mesquita fala sobre “Corpo Devaneio” e a nova fase rumo ao primeiro álbum

 Entrevista: Mari Mesquita fala sobre “Corpo Devaneio” e a nova fase rumo ao primeiro álbum

Mariana Mesquita Crédito: Steven Ellison

A cantora e compositora Mariana Mesquita apresenta ao público o single “Corpo Devaneio”, uma faixa que transforma o desejo em paisagem sonora e aposta na delicadeza do encontro como força narrativa. A música, que já está disponível nas plataformas digitais, chega como um convite a viver o amor sem pressa — quase como um estado de contemplação.

Composta por Mariana em parceria com Barro e Guilherme Assis, que também assinam a produção, a faixa equilibra sonoridades contemporâneas da nova MPB com uma atmosfera tropical e sensorial. A canção constrói sua força na sutileza: em vez de urgência ou intensidade explosiva, “Corpo Devaneio” escolhe o caminho da calma, da escuta e da presença.

Para Mariana, essa escolha estética dialoga diretamente com o tempo em que vivemos.

“Nessa sociedade acelerada em que vivemos, onde a pressa em matar desejos e a busca por resoluções rápidas se fazem tão presentes, ter calma ao mergulhar num sentimento tão grandioso como o amor é um ato de coragem — e, de fato, revolucionário”, afirma a artista.

A música explora imagens simbólicas que atravessam a cultura brasileira — beijo, mar, sol e carnaval — como metáforas de um desejo que não invade, mas se oferece. A ideia central da faixa é a de um querer que respeita o tempo do outro e se constrói na troca.

Segundo Mariana, parte da sua geração já começa a olhar para os relacionamentos com mais consciência e menos pressa.

Acredito que boa parte da minha geração já não tem tanta pressa de marcar um ‘x’ na caixinha de estar em um relacionamento apenas por status. Existe mais diálogo e mais possibilidades de se relacionar. É um lugar de consciência sobre a individualidade de cada pessoa e o que isso traz para o relacionamento como um todo”, explica.

Um visualizer guiado pela intuição

A proposta sensorial da música também se reflete no visualizer de “Corpo Devaneio”, gravado no estúdio Pulso, em João Pessoa (PB). O vídeo nasceu de forma totalmente espontânea: sem roteiro ou direção previamente definida, Mariana se deixou conduzir pela própria música diante da câmera.

Dirigido e registrado por Jobson Andrade, o vídeo aposta na organicidade e na presença da artista, entre dança, olhar e movimento. O improviso acabou se tornando uma escolha estética central do projeto.

O improviso me deixa mais potente artisticamente. É quando você se entrega de fato ao que está sentindo naquele momento, sem correções ou planejamento de movimentos. É a arte pulsando”, conta.

Essa mesma espontaneidade aparece na forma como Mariana equilibra intensidade e delicadeza na faixa — uma dualidade que, segundo ela, não nasce de cálculo, mas de personalidade.

Esse equilíbrio não é algo muito pensado. É natural da minha forma de viver, de me relacionar e de enxergar a vida. Quando escrevo minhas músicas, essa mistura de intensidade e delicadeza já vem junto.”

Se a música pudesse ser traduzida em uma imagem única, Mariana já sabe exatamente qual seria a cena.

Um beijo na boca bem dado, com um pôr do sol rosé de fundo.”

Novo ciclo artístico

“Corpo Devaneio” marca o início de um novo momento na carreira da artista. Ao longo de 2026, Mariana Mesquita pretende lançar cinco novos singles, aprofundando sua pesquisa estética dentro da música brasileira contemporânea.

O movimento também prepara terreno para um projeto maior: seu primeiro álbum, previsto para começar a ser produzido em 2027.

Com sete singles e um EP já lançados, Mariana vem consolidando uma identidade artística que mistura brasilidade, percussão, sensualidade e poesia — elementos que aparecem com força em “Corpo Devaneio”.

A nova faixa reforça justamente essa assinatura: uma artista que transforma emoção em música com delicadeza, intensidade e imaginação.

Redação

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