Chef Diego Lozano torna-se o 1º brasileiro admitido no Relais Desserts, que reúne a elite mundial da alta confeitaria

 Chef Diego Lozano torna-se o 1º brasileiro admitido no Relais Desserts, que reúne a elite mundial da alta confeitaria

No dia 21 de setembro de 2026, em Lyon (França), o chef confeiteiro paulistano Diego Lozano foi oficialmente admitido como membro do Relais Desserts, se tornando a primeira maison brasileira e o primeiro membro latino-americano da história da associação, que existe há mais de 35 anos. A admissão aconteceu no seminário internacional da associação, no Domaine Lyon Saint-Joseph, diante de dezenas de membros, entre eles alguns dos nomes mais reverenciados da pâtisserie mundial.

O Relais Desserts reúne cerca de 100 chefs confeiteiros e chocolatiers de 19 países, entre eles Pierre Hermé, Jean-Paul Hévin, Sadaharu Aoki e Luigi Biasetto. Presidida por Vincent Guerlais, com Hermé entre os vice-presidentes, a associação tem como proposta preservar e desenvolver a alta confeitaria por meio da troca de conhecimentos entre seus integrantes.

“Não é um prêmio que se ganha, é um grupo que te escolhe. Ser aceito pelos mestres que me inspiraram a vida inteira é o momento mais importante da minha carreira”, afirma Lozano.

A entrada depende de um processo de seleção conduzido pelos próprios membros. O candidato precisa do apoio de dois integrantes, que garantam suas qualidades profissionais e pessoais, e passa pela avaliação de um comitê. Uma visita ao empreendimento permite examinar os produtos, as condições de trabalho e a relação do negócio com a confeitaria francesa. A etapa final envolve uma apresentação ao vivo diante de todos os membros, seguida de degustação.

Segundo Lozano, a análise também exigiu a exposição de dados sobre faturamento, despesas, lucro e número de funcionários. “Não basta só ser indicado, não basta só ser bom, não basta só ter o faturamento, é uma combinação de coisas porque eles prezam pela excelência”, explica.

Para a apresentação em Lyon, o chef desenvolveu a coleção FUSÃO, que combina ingredientes brasileiros com técnicas francesas. Em uma demonstração de 30 minutos, conduzida em francês, executou etapas do TUCUPI ET CERISE, uma releitura do Floresta Negra com caramelo de tucupi negro, cereja ao balsâmico e finalização com veludo de açaí. “Levei o Brasil nos ingredientes, tucupi, açaí, cupuaçu, baru, cachaça, e a França na técnica. É isso que a FUSÃO significa”, diz.

A coleção incluiu ainda o CAIPIRINHA, com limão-taiti e cachaça artesanal; o BELÉM, feito com cupuaçu, castanha-do-pará e cumaru, premiado em Tóquio em 2019; uma combinação de cajá, manga e maracujá, com mousse sem lácteos; e o CACAO ET FRAMBOISE, de chocolate e framboesa. As cores das peças, quando reunidas, fizeram referência às bandeiras do Brasil e da França.

Ao todo, Lozano apresentou 30 doces individuais, divididos entre as cinco receitas, uma peça artística de chocolate e três produtos em pequenas porções: sablé breton de castanha-do-pará, o bombom em formato de banana “Ceci n’est pas une banane” e uma barra de caramelo, cumaru e baru. A avaliação também contou com um dossiê técnico em francês, com receitas, custos e fornecedores.

A escolha foi uma forma de apresentar referências brasileiras aos confeiteiros. “Eu fiz questão de levar brasilidade à mesa. Os europeus estão muito acostumados com as frutas vermelhas, com as frutas amarelas, com as castanhas deles. Então, foi bem interessante, gerou um interesse grande, principalmente o tucupi”, conta.

O desenvolvimento da apresentação foi além dos doces. Para montar o buffet, o chef desenhou expositores impressos em 3D na própria escola e criou bases e utensílios usados na preparação. Na semana anterior à seleção, trabalhou no laboratório de Fabrizio Galla, no Piemonte, na Itália, um dos padrinhos de sua candidatura.

A admissão concretiza um objetivo iniciado há duas décadas, quando Lozano conheceu o Relais Desserts. Há cerca de cinco anos, passou a se preparar para atender às exigências do grupo. Em 2025, participou de um seminário como convidado, antes de avançar para a apresentação que oficializou sua entrada. “Vinte anos entre ver o sonho e viver o sonho. Tudo no seu devido tempo”, afirma.

Como membro, o chef passa a participar de encontros que envolvem aulas, apresentação de técnicas e ingredientes regionais, além do compartilhamento de receitas e experiências de gestão. Inicialmente, ficará vinculado ao grupo regional da Itália, ao qual pertencem os dois integrantes que apoiaram sua candidatura. Os bastidores da preparação e da admissão foram registrados para um documentário em produção.

Fundador da Escola de Confeitaria Diego Lozano, do restaurante Levena e do Pastry Club, o paulistano também atuou como jurado do MasterChef Confeitaria, da Band. Para ele, a entrada no Relais Desserts representa uma oportunidade de ampliar a presença das referências brasileiras nesse intercâmbio profissional. “Não entra só a minha maison: abre-se uma porta para a confeitaria brasileira e latino-americana”, finaliza.

Carolina

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