“Karavana” é mais que álbum: NUNEZ entrega filosofia de vida em forma de som
NUNEZ (Kimberly Koeche)
Com uma proposta conceitual que transforma a vida em estrada e o tempo em poesia, NUNEZ lança Karavana, um álbum que é, ao mesmo tempo, manifesto existencial e encontro de sonoridades. Transitando entre rap, samba, MPB, R&B e reggae, o artista constrói uma identidade única ao unir suas raízes com a ousadia criativa de quem não teme errar. Em entrevista, ele revela como a obra nasceu de um processo profundo de transformação pessoal e espiritual, ao mesmo tempo em que se apoia na coletividade — com feats marcantes, produtores renomados e uma estética visual cuidadosamente desenhada.
“Karavana” tem uma proposta conceitual sobre a vida como estrada. Como essa ideia surgiu e como ela se conecta com sua trajetória até aqui?
Eu passei por muitas mudanças na minha vida nos últimos anos, tanto no lado profissional quanto no lado pessoal e espiritual. Durante o processo de criação do disco, enxerguei a necessidade de ressignificar o sentido de viver, de provocar uma mudança holística na sociedade. As nossas relações já são tão vazias, somos reféns da tecnologia e enxergamos o fim do mundo tão próximo… Hoje vivemos com muito conforto, mas, ao mesmo tempo, muitas incertezas. Então, nessa viagem que é a vida, como fazer diferente daqui para frente e ter sede de viver, com amor, propósito, buscando deixar um legado? Esse disco vem para fortalecer essa mensagem de que a nossa passagem aqui na Terra é curta — e, por isso, devemos aproveitar ao máximo o caminho. Ele importa muito mais do que a chegada.
O álbum transita entre rap, MPB, samba, R&B e reggae. Como você equilibrou essas referências sem perder sua identidade sonora?
Meu som é fruto de muitas referências. Eu gosto de explorar diversas sonoridades da nossa cultura, apesar de ter mais influências do rap e do samba. Acredito que é justamente a busca por ser original, por não ter medo de errar e ter coragem de criar sem copiar ninguém, fazendo a minha própria onda, que me levou a encontrar uma identidade única neste disco. Eu gosto dessa mistura. Quero modernizar o passado para revolucionar o futuro de uma forma autêntica.
O projeto conta com colaborações marcantes. Qual foi o critério para escolher os artistas e produtores que embarcaram nessa jornada com você?
As participações foram muito verdadeiras, com artistas e produtores com quem construí uma amizade de respeito recíproco — não apenas pelas pessoas que são, mas também pela qualidade sonora que têm. Admiro muito o som de todos os envolvidos: SóCiro, ANALU, Cruvinel, Fernandinho BeatBox… são artistas que escuto no meu dia a dia, e isso só engrandeceu as faixas. O processo de criação foi muito irado, todo mundo falou a mesma língua e se sentiu à vontade para compor e entrar na minha onda.
A Head Media já apostou em artistas como Jão e Vitão. Como tem sido fazer parte desse time e o que isso representa para sua carreira?
Ainda não caiu a ficha. Estar na Head Media e produzir meu disco com essa estrutura, com os produtores da casa envolvidos 100% no projeto — DMAX, Los Brasileros — é um sonho se realizando. Nesse processo, pude encontrar vários artistas de quem sou fã, como Rael, Marina Sena, Marcelo D2, Papatinho, gravando no mesmo estúdio que eu. Isso me inspirou muito a criar o disco. O Vitão também é uma referência. Acompanhei toda a trajetória dele. No início de tudo, a gente tocava junto no palco do Galleria Bar, em SP, e ele explodiu muito cedo. Então, sei bastante sobre seus passos e sempre torci muito por ele. Nos reencontramos nos últimos meses, e foi muito daora trocar ideia depois de tanto tempo! Com certeza, Karavana marca o início de muita coisa boa que ainda está por vir na minha carreira junto com a Head Media. Sou muito grato por todos os ensinamentos e oportunidades que eles me deram.
A produção visual de “Karavana” também é muito forte. Como foi o processo de construir essa narrativa visual com André Prata e Renato Hojda?
A construção visual levou tempo e muito estudo até chegar ao resultado final. Eu também sou diretor criativo, né? Peguei várias referências e cheguei com todas as minhas ideias para o Prata e o Renato. Escolhemos a melhor forma de construir toda essa narrativa de uma maneira que não me custasse uma fortuna, mas que, acima de tudo, representasse fielmente a ideia da passagem do tempo que o disco traz. Nossa stylist, Georgia Feola, também ajudou muito nesse processo de encontrar os figurinos certos para mim e para o elenco, misturando essa vibe vintage com o futurista. Nossa ideia era entregar algo realmente novo e impactante — e acho que conseguimos. Tudo ficou muito bonito, e tenho recebido muitas mensagens da galera elogiando a estética em geral!
Qual você diria que é a principal mensagem que “Karavana” quer deixar para quem embarcar nessa viagem?
A principal mensagem do disco é sobre ressignificar o nosso modo de viver. Em tempos tão sombrios, em que a tecnologia nos assusta, em que as relações estão tão vazias, em que a autenticidade se perdeu, é preciso ter sede de fazer algo diferente, acreditar e ter coragem todos os dias para lutar por aquilo em que você acredita. Porque a nossa passagem aqui é tão curta… Se não aproveitarmos o caminho, o que fará sentido? É sobre sonhar, acreditar e fazer acontecer, em busca de deixar um legado. O caminho importa mais do que a chegada.
O nome “Karavana” remete à estrada, à viagem. Se esse álbum fosse uma viagem real, qual seria o roteiro ideal?
A Karavana é a vida, né? A gente está sempre em movimento, sempre viajando e encontrando pessoas. Quero rodar alguns estados do Brasil nesse pós-disco e fazer um documentário para o meu canal no YouTube, mostrando a vivência e a cultura de outros lugares, outros artistas. Quem sabe até registrar alguns shows meus nessas vivências também. A princípio, iremos para o Rio de Janeiro, Florianópolis, Minas Gerais e Litoral Norte de SP. Mas quem sabe a gente não estende essa viagem para outros estados? Vai depender da galera ouvir o som e pedir a Karavana na sua área!
Você já pensou em transformar esse projeto em um espetáculo com teatro, dança ou outras linguagens além da música e do vídeo?
Com toda certeza! O conceito, a ideia e o nome do disco abrem uma possibilidade enorme de criação. No momento, preciso divulgar o disco e fazer com que as pessoas escutem e se conectem com a mensagem. Mas, quando formos rodar os shows pelo Brasil, quero sim contar com mais arte no palco — como a dança, o grafite, a pintura, o humor… E acho que, dependendo do sucesso do disco, por que não pensar em uma peça de teatro, um curta-metragem ou algo do tipo? Eu sou fã de ideias disruptivas e criativas. Estou sempre disposto a pensar e criar o novo!


