Hyldon une analógico e digital em novo álbum Festa na Aldeia
Foto: João Moura @mmourajoao
O cantor e compositor Hyldon lança seu 17º álbum de inéditas com características que fogem da noção humana do tempo. Desde o formato de sua gravação até a estratégia de lançamento, tudo se funde entre o novo e velho, o conhecido e o inédito. Depois de ganhar o mundo no formato de singles, o álbum Festa na Aldeia se torna atemporal já nessa data, 14 de agosto (sexta-feira), em que chega completo ao streaming via ONErpm.
Vamos começar pela capa: é uma obra de arte de Marcio Bertoli, que trabalhou à moda antiga e fez no formato físico para depois registrar no digital. O estilo é naif e faz referência a um rito de comemoração do povo Tupinambá após a captura do inimigo. Depois de uma vivência da tribo com o capturado, ele é devorado num ritual antropofágico numa grande festa para que o indígena adquira a força do inimigo.
Já entre as faixas, tem um pouco de tudo: de composições guardadas desde a década de 1970 (“Aconteceu em Geribá”) até músicas feitas mais recentemente (“Um Lindo Dia”), Hyldon não deixa de lado sua especialidade: as baladas – mesmo que não exatamente românticas (“Desamor” e “O Pierrot, a Lua e o Mar”). A soul music suingada e cheia de metais também tem espaço (“A Onça”). Há tempo, ainda, para uma mistura que o próprio Hyldon apelidou de “blues sertanejo” (“Fã do Sanduíche”). A faixa que dá nome ao disco relembra as origens indígenas do compositor e é cantada em português e tupi.
“Vida Maneira” é a faixa que abre o álbum e foi escolhida para ser a inédita dessa leva de lançamentos. A música surgiu para fazer parte do repertório de Wanderléa, quando a cantora precisava de novos rumos após o fim da Jovem Guarda. Hyldon, que era guitarrista de sua banda, colaborou com duas composições e “Vida Maneira” foi uma delas. O compositor grava a faixa pela primeira vez.
Já com o clima do disco em mente, Hyldon resolveu gravá-lo todo de maneira analógica, em fita de duas polegadas. Nada de digital. E isso dá a deixa para o formato de vinil, que será lançado em breve com tardes de autógrafo no Rio de Janeiro e em São Paulo. A formação da banda escolhida por Hyldon também é diferente, para combinar com esse clima, com muitos teclados (Rhodes, Hammond e sintetizadores), sopros e percussão. Um lance mais “jazzy”, mas sem perder o suingue e a pegada própria do seu som.
FAIXA A FAIXA
- Vida Maneira
Música gravada por Wanderléa (1972, no álbum Maravilhosa), mas ainda inédita na voz de Hyldon. Nasceu quando o compositor presenciou uma discussão de um casal de amigos por ciúmes, na casa deles. Hyldon pegou o violão, começou a fazer essa música e em pouco tempo estavam os três cantando.
- Festa na Aldeia
Um tributo aos povos originários. Parceria de Hyldon com o africanista, grafiteiro, rapper e compositor Nkongo Divwa. A letra mistura português com o tupi.
- A Onça
Aqui a guitarra suingada de Hyldon comanda! Ritmo contagiante, arranjo de metais e aquele clima soul music clássico.
- Fã do Sanduíche
Traz um clima autodenominado “blues sertanejo” para relembrar os tempos de início de carreira e mudança do interior da Bahia para o Rio de Janeiro. Para isso, Hyldon convidou três músicos que fazem parte da sua caminhada: Maurício Einhorn, Alex Malheiros e Paulinho Guitarra.
- O Pierrot, a Lua e o Mar
Depois de 40 anos sem contato por causa de um desentendimento durante uma partida de futebol, Hyldon reencontrou Pepeu Gomes e surgiu essa canção. A alquimia aconteceu e uniu a guitarra mais brasileira durante os anos de Novos Baianos e a guitarra de um dos fundadores da soul music no país. Uma canção praiana digna de dois baianos fãs de Dorival Caymmi e João Gilberto, mas, claro, com uma pitada de rock.
- Desamor
Se o amor é força criativa para a música desde que a arte existe, o desamor mais ainda. Hyldon segue fazendo uma de suas especialidades, a balada romântica, e se inspirou numa antiga desilusão amorosa para compor essa faixa.
- Aconteceu em Geribá
A composição data de 1977. Hyldon acabava de mudar de gravadora, gravou um álbum, mas descobriu uma ordem da direção para não divulgarem mais o álbum. Chateado com a situação, Hyldon resolveu largar tudo e morar em Búzios. E foi nessa época em que compôs a faixa, finalizada para esse álbum.
- Um Lindo Dia
Parceria inédita com o amigo de longa data Ivan Conti, o Mamão, baterista do trio de samba-jazz-soul Azymuth. A música foi composta poucos meses antes do falecimento de Mamão, em 17 de abril de 2023, e finaliza o álbum como um tributo ao velho amigo.
FICHA TÉCNICA
Banda Base:
Voz e Viola de 12 cordas (4): Hyldon
Bateria: Cassius Theperson
Baixo elétrico e acústico: André Vasconcellos
Rhodes: Eduardo Farias
Piano, Órgão Hammond, Sintetizadores: Márcio Pombo
Percussão: Mafram Maracanã
Metais:
Trombone: Marlon Sette
Trompete: Diogo Gomes
Saxofone: Zé Maria
Guitarras:
Gui Schwab, Bernardo Bosísio, Léo Vieira, Bernardo Brandão, Hyldon e
Paulinho Guitarra
Outros convidados:
Harmônica (4): Maurício Einhorn
Violão de Nylon (4): Alex Malheiros
Didgeridoo (2): Gui Schwab
Flauta de Bambu (2): Jorge Continentino
Sax Barítono (2): Rodrigo Revelles
Vocais (2):
Camilla Emanuelle, Fernanda de Paula, Lina, Márcio Pombo e Bernardo
Brandão (e sample festa indígena)
Vocal infantil: Davi, Maitê, Emmanoel e Saulo
Técnicos e Estúdios:
Mauro Araújo (Estúdio Marini)
Márcio Pombo e Bernardo Brandão (Estúdio Pombo)
Marlon (Estúdio Caldeira 7)
Mixagem/Masterização: Márcio Pombo
Fotógrafo: joão MM
Ilustração em naífe: Márcio Bertolli
Arte final: Lêka Coutinho
Todas as músicas editadas por:DPA Discos/Warner Chappell
Produzido por: Hyldon para DPA Discos
“Festa na Aldeia” já está disponível em todas as plataformas digitais via ONErpm.


