Ex-The Voice Kids, Giovanna Khair atua nos bastidores de show de Emilio Estefan durante a Copa do Mundo, em Miami
Giovanna Khair Cunha
A brasileira encontrou nos bastidores da música internacional sua carreira, em que acompanha de perto iniciativas que unem música e diversidade cultural
Enquanto milhões de pessoas acompanham a Copa do Mundo nos estádios e diante das telas, uma brasileira viveu os bastidores de projetos que ajudam a construir a narrativa cultural do maior evento esportivo do planeta. Giovanna Khair Cunha, Social Media Manager e estrategista digital de Emilio Estefan, músico e produtor cubano-americano, que coleciona 19 prêmios Grammy, participou do projeto de lançamento e apresentação ao vivo da música “Love Always Wins“ na abertura do jogo das oitavas de final no Hard Rock Stadium, em Miami.
A faixa escrita e produzida por Estefan e interpretada por Zema, Shaggy e Cimafunk, faz parte da trilha sonora oficial da Copa do Mundo FIFA 2026. Mais do que uma canção, o projeto busca traduzir em música o que o produtor costuma definir como o verdadeiro “som de Miami”: uma mistura de culturas, idiomas, origens e influências que transformaram a cidade em uma das capitais culturais das Américas, segundo a brasileira.

“A ideia sempre foi celebrar a diversidade. O Emilio fala muito sobre encontrar o som real de Miami, que nasce justamente dessa mistura de comunidades, sotaques, ritmos e histórias. É uma visão muito bonita porque coloca a música como uma ferramenta de união”, explica Giovanna, que aos 15 anos virou todas as cadeiras no The Voice Kids 2018, ao cantar Bohemian Rhapsody.
Lançada em 5 de junho juntamente com o álbum oficial da Copa do Mundo FIFA 2026, “Love Always Wins” ganhou um evento especial de apresentação na tradicional Galeria Gary Nader, em Miami.
A celebração reuniu artistas de diferentes nacionalidades, apresentações culturais, grupos de samba e representantes da indústria do entretenimento. Entre os convidados estava o presidente da FIFA, Gianni Infantino.
Giovanna acompanhou toda a operação de comunicação e conteúdo do evento. “Foi um momento muito simbólico porque mostrava exatamente a mensagem da música. Havia artistas de vários países, diferentes estilos musicais e uma celebração muito autêntica da diversidade cultural de Miami,” relata.
De acordo com a estrategista, a performance de Emilio Estefan é considerada um dos momentos culturais mais relevantes da participação da cidade no torneio.
Miami é uma das sedes americanas da Copa do Mundo FIFA 2026, que acontece nos Estados Unidos, México e Canadá. A cidade receberá partidas entre 15 de junho e 18 de julho, incluindo jogos das quartas de final e a disputa pelo terceiro lugar.

Além das redes sociais
Formada pela Berklee College of Music, e radicada em Miami, Giovanna representa uma nova geração de brasileiros que vem conquistando espaço não apenas nos palcos internacionais, mas também em áreas estratégicas da indústria musical, como marketing, produção, gestão artística e comunicação digital.
“Quando participei do The Voice Kids, descobri que existia um universo inteiro por trás do palco. Enquanto muita gente sonhava em cantar, eu me encantava ao observar as equipes que faziam tudo acontecer. Foi ali que nasceu minha paixão pelos bastidores”, conta.
Hoje, essa paixão a coloca no centro de projetos que conectam música, entretenimento e cultura global. Embora seu cargo esteja ligado à estratégia digital e produção de conteúdo, Giovanna ressalta que o trabalho vai muito além das publicações nas redes.
“Hoje, a música não vive apenas no palco. Ela vive nas plataformas digitais, nos bastidores, na forma como as histórias são contadas e nas conexões que são criadas com o público.”
Antes de integrar projetos ligados ao universo de Emilio Estefan, Giovanna acumulou experiências relevantes em diferentes frentes da indústria musical. Na agência de marketing musical Ranked Music, em Miami, iniciou sua trajetória como estagiária e rapidamente assumiu posições de maior responsabilidade, chegando a liderar campanhas digitais para artistas de projeção internacional como Anitta, Karol G e Alejandro Fernández.
Entre os projetos dos quais participou está a estratégia de divulgação de “Gata Only”, de FloyyMenor e Cris Mj, faixa que se tornou um fenômeno global e entrou para a história como a canção latina a alcançar a marca de 1 bilhão de streams no Spotify no menor tempo já registrado. Sua experiência também inclui o desenvolvimento de artistas independentes, como a cantora Jesse Detor, com quem trabalhou na produção de um álbum autoral antes de acompanhá-la em sua participação no Lollapalooza.
Entre as experiências mais marcantes está sua participação em um evento profissional independente, no qual trabalhou com artistas que se apresentaram em festivais como Governors Ball e Bourbon & Beyond. Em 2025, também integrou as equipes de imprensa e relações artísticas do Lollapalooza em Chicago.
Outros trabalhos também incluem a sua participação na estratégia de conteúdo do álbum “La Chiva”, do artista Ronkalunga, acompanhando ativações promocionais e registrando os bastidores da criação visual do disco, e como co-executiva do Start Where We Are Earth Music Festival, festival independente realizado em 2022, ampliando sua vivência em produção cultural, curadoria artística e gestão de eventos ao vivo.
Embora milhões de pessoas sonhem com uma carreira na música, Giovanna acredita que poucos conhecem a complexidade da estrutura que sustenta um artista.
“Para um show acontecer, alguém precisa cuidar do som, da logística, das passagens aéreas, da alimentação da equipe, da negociação dos contratos, do marketing e de dezenas de outros detalhes. Existem inúmeras profissões na indústria musical.”
Sua própria carreira é um reflexo dessa multiplicidade. Ao longo dos últimos anos, atuou em desenvolvimento artístico, gestão de talentos, scouting, relações com artistas, produção de festivais, marketing digital e estratégia de conteúdo.
Para Giovanna, o mercado internacional vive um momento de transformação em que profissionais capazes de conectar culturas diferentes ganham cada vez mais relevância.
“Durante muito tempo, o sonho era levar artistas brasileiros para fora. Hoje, também existe uma geração de brasileiros ocupando espaços estratégicos na indústria internacional. Acho que essa é uma mudança muito importante.”


