Exclusivo: Joana Castanheira explora intimidades e sentimentos em “Meu Amor”, amostra do LP “Desapreço Acústico”
Créditos: Rafaella Piazza
A cantora e compositora Joana Castanheira estreia, neste 29 de maio, “Desapreço Acústico”. O novo projeto revela ao público uma versão reduzida e unplugged do disco Desapreço, lançado em outubro de 2023. Em seus vocais, as composições ganham nova forma a partir da fusão entre o minimalismo e a interpretação pulsante. Sendo o registro de uma apresentação realizada ao lado do músico David Toledo, o projeto reescreve a narrativa original de Castanheira, agora mais concisa e próxima do público.
“Lá atrás, essas músicas foram aparecendo despretensiosamente, mas eu sentia que ainda não tinha maturidade artística o suficiente para trabalhá-las”, conta a cantora, em retrospecto. “Eu não sabia como fazê-lo. Depois de um tempo, entendi que elas faziam sentido juntas e poderiam se tornar um disco”. Consagrado nos palcos, o repertório de Desapreço se volta hoje para as minúcias do acústico, em uma formação que destaca a junção de voz e violão. Em cena, Joana Castanheira expõe um momento de celebração, seja da própria carreira como um todo, seja da bem-sucedida turnê que cruzou o estado de Santa Catarina, sua terra natal, em Abril passado.
Enquanto a gravação em estúdio revela um forte conceito dramático-teatral, explorado desde o EP anterior, Aparador de Saudades Que Ainda Não Existiram Ou Porta-Retratos (2020), o presente Desapreço Acústico busca conectar ainda mais a autora com seus ouvintes. Para atingir essa atmosfera intimista, Joana mergulha fundo em sentimentos, especificamente ao contar as histórias que deram tração ao repertório, bem como ao resgatar detalhes do processo que a formou como artista.
Inspirada inicialmente pela proposta de outro LP, Carminho Canta Tom Jobim, da cantautora portuguesa Carminho, os desdobramentos cênicos da performance de Castanheira remetem agora a uma artista que corre em direção à própria liberdade — algo inegociável. “Levar Desapreço para esse lugar acústico é parte de um processo muito especial, que foi se formando a partir de composições que eu e a Joana já tínhamos feito em parceria e que já andávamos tocando nos shows”, revela o produtor João Peters, parceiro de longa data e um dos principais articuladores dessa reestreia. “Foi justamente por causa desses experimentos que uma nova estética, agora apresentada ao público, já vinha sendo visada há algum tempo”, prossegue.
Pouco a pouco, o novo disco acústico foi se firmando como uma obra de natureza coletiva e calcada na organicidade do processo. Além de resgatar faixas que exploram a vulnerabilidade e a atenção dada ao caráter sentimental, como Cantar, Caso Quebrado e Átame, o LP também apresenta Soneto de Amor Puro e Simples, esta última uma colaboração com David Toledo. “Cantar ao lado da Joana outra vez me deixou extremamente feliz. Sinto que, a cada nova interpretação desta faixa, entregamos mais emoção e drama”, conta o artista. A setlist, ao fim do percurso, propõe imersão. Enquanto na faixa-título, Desapreço, Castanheira evoca a alma do bolero para dar tom à caminhada que se segue, Meu Amor, escolhida como música de trabalho, recorre ao violão, como é possível ver no registro em vídeo, para conferir a intimidade necessária ao discurso. Assista com exclusividade abaixo.
Como se falasse ao pé do ouvido de cada ouvinte, a artista vai revelando gradativamente um manifesto da composição autoral, que desemboca, entre outros momentos, em Cantar. Composição do músico Paulo Novaes, a faixa havia recebido um primeiro registro em estúdio, conduzido pelo autor e sua avó, por sua vez ex-cantora de rádio. Guiados pelos vocais de Castanheira, somos transportados a um outro tempo, em que memórias, cartas e declarações de amor amenizavam a ausência e a distância. A já mencionada Soneto de Amor Puro e Simples, em seu devido momento, ecoa o mesmo sentimento de forma literal, conferindo ao trabalho de Joana toda uma atmosfera de romantismo.
Na trinca final, é a vez de conhecer as interpretações mais recentes de Caso Quebrado — parceria com os amigos Cacau Corrêa, Léo Marelua e André Stahnke — e Átame, cantada inteiramente em espanhol. Ambas são momentos em que o instrumental e a linguagem se expressam em pé de igualdade. Com a estreia de Desapreço Acústico, Joana Castanheira reafirma a força de sua escrita e de sua presença cênica ao apostar na depuração dos arranjos e na intensidade interpretativa como caminhos de aproximação com o público. O resultado é um registro que, ao mesmo tempo em que revisita o passado recente da artista, projeta novas possibilidades criativas, consolidando-a como um dos nomes mais sensíveis e consistentes de sua geração. Faça já o pre-save.
TRAJETÓRIA
Joana Castanheira é cantora, compositora e atriz — e, acima de tudo, artista. Com mais de 20 anos na estrada, construiu uma carreira marcada pela integração entre música, cena e narrativa, desenvolvendo uma linguagem própria, de forte apelo dramatúrgico. Como muitos de seus pares, iniciou sua trajetória ainda na infância.
Aos 7 anos, ingressou no coral da escola, e, aos 8, estreou profissionalmente no teatro musical. Desde então, vem expandindo sua atuação nos palcos e na música, com passagens por projetos de destaque, como apresentações em Nova York e o protagonismo em Into The Woods – Pela Floresta, o primeiro musical licenciado da Broadway no sul do Brasil. Também integrou a quinta temporada do reality show The Voice Brasil, em 2016, ampliando sua projeção nacional.
Como compositora, é autora, entre outros projetos, do álbum Desapreço, que evidencia sua escrita expressiva, com colaborações de artistas como Paulo Novaes, vencedor do Grammy Latino. Sua produção artística se ancora na construção de experiências que ultrapassam o campo sonoro, incorporando elementos visuais e performáticos como extensões da própria narrativa. Como um todo, sua obra reflete uma busca contínua por transformar vivências em sensibilidade e emoção — gesto que reafirma seu compromisso com a arte em todas as esferas.


