Manda questiona fórmulas de sucesso e reafirma sua voz no mais recente single “Bumbum Mexer”

 Manda questiona fórmulas de sucesso e reafirma sua voz no mais recente single “Bumbum Mexer”

Dois anos após tocar milhões de pessoas com “Coragem”, Manda retorna com “Bumbum Mexer”, um single que transforma inquietação em provocação e ironia em discurso. Em meio a um mercado cada vez mais orientado por fórmulas, métricas e expectativas externas, a artista escolhe expor suas dúvidas, medos e conflitos sem maquiar o processo. A faixa nasce como um desabafo honesto sobre o desgaste de tentar caber em moldes pré-estabelecidos, e, ao mesmo tempo, como um gesto de retomada da própria voz.

Ao Portal Mais Brasil, Manda fala sobre o cansaço criativo provocado pela pressão da indústria, o embate constante entre autenticidade e sucesso comercial, e a urgência de negociar um caminho mais saudável entre arte e mercado. Com lucidez e sensibilidade, ela reflete sobre o papel dos números na música, a importância de preservar a verdade artística e o desafio de seguir criando em um sistema que muitas vezes tenta pasteurizar diferenças.

“Bumbum Mexer” surge, assim, não apenas como um novo lançamento, mas como um statement: o retrato de uma artista mais madura, consciente e disposta a bancar suas escolhas. Ao longo da conversa, Manda também deixa um recado direto para quem está começando, um convite à escuta interna, à coragem e à defesa de uma voz que só pode existir quando não abre mão de si mesma.

Quando você pensa em “Bumbum Mexer”, qual foi o primeiro sentimento que te moveu a colocar essa ideia no papel?

Acho que foi uma inquietação, junto com um cansaço, misturado com um medo também.

É um diálogo ali entre a minha coragem de me manter verdadeira, mas ao mesmo tempo com muito medo de isso não ser adequado ou suficiente para um mercado que parece ter fórmulas muito prontas para o sucesso.

O quanto essa música é um retrato do seu momento atual e o quanto ela conversa com inquietações que você já tinha há anos?

Essa música nasceu em 2023, então de fato ela é um retrato de como eu venho me sentindo há um tempo. Aliás foi um ano bem complexo pra mim. Eu senti essa pressão do mercado muito na pele, a ponto de me bloquear criativamente. Porque quando você escuta repetidamente tantas vozes dizendo o que fazer, como fazer, qual é o jeito ‘certo’, não demora pra você começar a se questionar. E isso cansa. ‘Bumbum Mexer’ nasce desse desgaste, mas também do meu movimento de recuperar a minha própria voz.

Você sente que existe um conflito entre o que você acredita artisticamente e o que o mercado espera de você?

Sim, o tempo inteiro. Sinto isso tanto na natureza da música que eu ‘deveria’ estar fazendo quanto na quantidade que eu ‘deveria’ lançar. Eu não nego que música é um negócio. Mas é um negócio com particularidades muito próprias, que precisam ser olhadas com mais cuidado. Quando a gente ignora isso, corre o risco de criar um sistema adoecido.

O tempo da arte não é o tempo do mercado. E, já que os dois precisam coexistir, será possível que a gente aprenda a negociar um meio do caminho mais saudável entre eles?

Como você enxerga o futuro da música em um ambiente cada vez mais orientado por números?

Eu enxergo com preocupação, mas procuro manter a esperança. Tenho visto alguns respiros nascendo no meio disso tudo. Tem muita gente da minha geração entregando uma arte que vem do coração e, ainda assim, alcançando números expressivos.

Eu espero um futuro em que os números importam, claro, mas não engulam tudo. Um futuro em que eles sejam ferramentas, não destino. A arte sempre encontra um jeito de sobreviver. Minha esperança é que ela encontre, cada vez mais, um jeito de respirar.

O que você diria para novos artistas que estão tentando encontrar seu próprio caminho em meio a tantas expectativas externas?

Vou falar uma coisa muito clichê. Mas clichês são clichês por um motivo! Eles são verdades experimentadas há tempos. Seja você ! Ouça você ! Abra os olhos e os ouvidos pra ver e ouvir sim, mas filtre demais o que você deixa entrar no teu ambiente interno. A indústria tenta pasteurizar todo mundo, mas ela não resiste quando aparece alguém fresco e autêntico. Então não esquece disso: o seu diferencial é justamente ter uma voz que é só tua.

Carolina

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